21-07-2011 11:46:56

Maria Gladys artista dos anos 60 ressurge !

Dirigida por diretores como Ruy Guerra, Domingos de Oliveira e Rogério Sganzerla ao lado de Helena Ignez, Maria Gladys é uma das musas eternas do Cinema Marginal. Entrevista micmag.
Por Daiverson Machado (Rio de Janeiro)


Alegre, transgressora, boêmia e divertidad, Maria Gladys viveu intensamente o desbunde dos anos 60 e 70, estrelando grandes clássicos do cinema brasileiro. Ao telefone, a voz do outro lado da linha reflete as nuances de alguém que tem muito a dizer, mas que parece ter perdido a paciência de discutir a respeito dos caminhos que tomaram o seu ofício. Em cada frase dita revela que o caminho escolhido é o da novidade, novos projetos e a vontade de estar sempre se renovando. A atriz se exilou em Londres no inicio dos anos 70 onde viveu todas as loucuras de uma época de quebra de paradigmas. De personalidade forte e grande talento, é uma das grandes atrizes da geração anos 60, redescoberta por jovens diretores e cinéfilos que cultuam sua interpretação em filmes como “Sem Essa Aranha” e “Os Fuzis”.

Micmag : Como surgiram os primeiros trabalhos no cinema? Fale-nos um poucos de seus filmes. 

Nos anos 60 eu fiz “Os Fuzis” com o Ruy Guerra, que é uma obra adorada até hoje, as pessoas adoram, o filme tem quarenta e tantos anos e não envelheceu, os jovens gostam. Os anos 60 tem essa importância. Eu também trabalhei com o Domingos de Oliveira em “Todas as Mulheres do Mundo”, adoro o Domingos, esse filme é um expoente, fiz com ele também “Edu Coração de Ouro”. Aí no início dos anos 70 eu fiz muitos filmes com o Rogério Sganzerla, estava difícil ficar no Brasil, todo mundo estava indo embora e eu fui embora com eles. Aqui tínhamos muito pouco trabalho e foi difícil retornar tudo, acho que estou até hoje retornando. Aí então eu virei artista de televisão.

Micmag : A nova geração cultua os filmes marginais brasileiros e você é uma das grandes estrelas desses filmes. Como tem sido seu contato com essa nova geração?

Isso é maravilhoso, os filmes que eu fiz com o Júlio Bressane por exemplo, as pessoas adoram. Aí através desses filmes eu acabei ganhando um fã como o Bruno Safadi, com quem eu filmei juntamente com a filha de Helena Ignez, a Djin Sganzerla, “Meu nome é Dindi”. Eu fiz um espetáculo de teatro sozinha e chamei o Bruno pra me dirigir, nós dois montamos esse espetáculo que já tem 4 anos, parece que foi ontem... a gente fez o SESC, viajamos, esses filmes trazem essas pessoas. Eu acabei de fazer um filme em abril do ano passado em Campina Grande com um menino chamado André da Costa Pinto, um roteiro muito interessante, interessantíssimo, se chama "Tudo que Deus criou", ele é um dos caras que entrou nesse projeto, revelando os diversos Brasis, ele tem 23 anos e é um diretor muito interessante. E filmei também com o Felipe Bragança, acabei de filmar agora no final do ano, me esqueci o nome do filme.(risos)

 Micmag : Alguns cineastas brasileiros que não produziam há algum tempo lançaram filmes atualmente, como Andrea Tonacci e José Mojica Marins. O que você acha da volta desses diretores que há tanto tempo não filmavam?

Eu adoro os filmes de Tonacci, acho ótimo isso acontecer, acho ele um diretor fabuloso, o Mojica é uma figura diferente, algumas coisas eu gosto outras nem tanto, mas ele é uma pessoa muito especial e acho fabuloso eles voltarem a filmar. O Tonacci foi premiado com esse último filme dele que eu não vi, passou aqui no festival mas eu não vi, é difícil filmar. Eu agora vou filmar com o Hugo Carvana, começo a filmar em março, um filme que se chama “Se nada mais der certo”, acho que é isso.

Micmag : Qual será o seu papel?

Eu não faço a mínima idéia, só acertei cachê, mas ainda não vi (risos). Mais enfim, é uma participação, é uma coisa que o Carvana faz comigo nos filmes dele, ele sempre puxa alguma coisa pra eu fazer, mas é uma participação.

Micmag : Fiquei sabendo que o Cláudio Assis tinha convidado você pra participar de um filme dele.

Eu é que o procuro mais na verdade (risos). Eu é que fico falando pra ele que ele tem que me chamar de qualquer maneira. Mas enfim, eu sei que ele está entrando em produção, está batalhando, está em Pernambuco, não o tenho visto, mas de vez em quando eu mando uns emails pra ele.

Micmag : Como foi viver em Londres na década de 70?

Londres pra mim foi tudo, foi uma maravilha Londres, foi um pedaço da minha vida inesquecível, aliás há um pedaço que deixei lá, eu tenho uma filha que vive lá, minha neta está começando na carreira de modelo fotográfica em Londres, está em uma super agência, foi descoberta em um festival. Uma fotógrafa a viu e a levou pra mesma agência da Kate Moss. Eu vi muita música, tudo que tinha lá eu vi, Led Zeppelin, The Who, Frank Zappa, eu vi tudo que havia lá. (Maria Gladys cantando em cena de "Sem Essa Aranha")

 Micmag : O que você tem assistido no cinema que você tem gostado atualmente?

Eu adorei ver o filme da Paula Gaetan “O Diário de Sintra”. Adorei ver o filme do Lírio Ferreira “O homem que engarrafava nuvens” que fala de Humberto Teixeira, eu adoooro esse filme.


Micmag : Você protagoniza uma cena marcante cantando desvairadamente em “Sem Essa Aranha”. Como aconteceu o processo de filmagem daquele plano seqüência?

Essa cena é histórica, foi o seguinte: o Rogério mandou que eu cantasse uma música, mas que não fosse conhecida, que ninguém nunca tivesse ouvido. Aí me lembrei que quando garota escutava minha prima cantora, Norma Sueli, cantando essa música, mas só me lembrava desse pedaço, eu gostava de vê-la cantando aquilo. Esse filme tem mais de 40 anos, essa música era muito presente na época, minha prima era viva, enfim. Então eu me lembrei e cantei. Há pouco tempo eu estava escutando alguma coisa e ouço Rosemary Clonney, uma cantora de jazz daquela época cantando isso, aí eu falei: Meu Deus! Eu não podia imaginar o que era. O Rogério (Sganzerla) como diretor era fabuloso, um gênio, só posso dizer que Rogério é um gênio, conheci um gênio, conheci vários gênios, conheci Rogério (Sganzerla), conheci Glauber Rocha, Paulo Leminski, sempre fui rodeada de gente.




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