A Condenação de Lula e a Cortina de Fumaça

Rodrigo Westphalen (Brasil) - 
Luís Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil, foi condenado nesta quarta-feira, 12 de Julho, pelo juiz federal Sérgio Moro, a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Foto D.R.

Luís Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil, foi condenado nesta quarta-feira, 12 de Julho, pelo juiz federal Sérgio Moro, a 9 anos e 6 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A sentença, em primeira instância, não acarreta em prisão nem em inelegibilidade do ex-presidente, mas seu processo, lotado de críticas e acusações de inexistência de provas questionando sua legalidade, demonstra como o judiciário entrou em sintonia com os interesses da grande mídia mega-empresarial e oposição política. A Senadora Gleisi Hoffmann (PR), presidenta nacional do PT, afirma “Todo mundo está vendo que é uma decisão política”.

O processo instaurado contra Lula por Sérgio Moro possui cobertura midiática constante, principalmente de revistas e canais televisivos reconhecidamente voltados a empresários, pertencentes a grandes oligopólios da comunicação. Os meios de comunicação de massa criaram uma narrativa de combate entre Moro e Lula, expressando uma sensação clara que a população tem sobre essa ação penal - a de um juiz convicto sobre a culpa, apenas buscando a justificativa para o condenar. Assim, apesar da “convicção” do juiz e dos promotores, a única prova contra o ex-presidente é uma delação de Léo Pinheiro, da empreiteira OAS, que o acusa de receber como propina um imóvel que sequer está em seu nome.

Aparentemente a verdade sobre este processo está mais embaixo. A Lava Jato, inicialmente procurando corrupção ligada à Petrobras, parecia correr na direção do ex-presidente e da então presidente Dilma Rousseff, ambos com uma carreira muito ligada à estatal. Essa possível relação com a corrupção deixou a mídia em uma busca fervorosa pela incriminação do Partido dos Trabalhadores, aproveitando para fazer campanha aos partidos de oposição, que contam com empresários e latifundiários. Desse modo, quando a oposição viu que isso levaria a condenação de muitos políticos da rede mafiosa que domina o país, começou uma movimentação para impedir os avanços da investigação.

Lula ainda é o principal candidato à presidência nas eleições de 2018. Cenário, esse, que apavora os mega-empresários - não porque os ameaça, já que durante seu governo e o de sua sucessora, Dilma, dialogaram ativamente com a direita, sequer sendo considerado um governo de esquerda, sem atingir suas fortunas, monopólios e latifúndios, mas pois estavam permitindo mudanças sociais e melhorias significativas na educação, formação e saúde da população pobre, e, principalmente, por não impedirem o avanço da Operação Lava Jato quando esta começou a destrinchar os nós da grande máfia de corrupção que domina o país -.

O método encontrado para aplicar a agenda neoliberal no país e preservar a rede criminosa que o legisla foi derrubar a então presidente Dilma Rousseff, conforme exposto em uma gravação entre Romero Jucá (PMDB-RR), principal articulador do impeachment, e o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, condenado na Lava Jato: “tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria” através de um “acordo com o Supremo, com tudo”, onde a “solução mais fácil é botar o Michel [Temer]”, então vice-presidente. E foi isso que aconteceu. Além disso, foi noticiado recentemente o fim da equipe de investigação da Lava Jato de Curitiba (PR), o que pode levar a um verdadeiro torniquete na sangria.

Durante a presidência de Michel Temer, sua principal agenda foi completamente diferente da proposta originalmente pela chapa na qual se elegeu. As reformas pelas quais ele chama são de desmanche das leis trabalhistas, desmanche da previdência pública e congelamento dos gastos públicos pelos próximos 20 anos, um verdadeiro golpe em todas as políticas de fortalecimento do sistema público as quais os governos anteriores se propuseram a realizar. Com total apoio da mídia empresarial, a campanha se disse pela “modernização” das relações de trabalho, apesar de diversos especialistas afirmarem que isso não levará a geração de empregos, mas à precarização e insegurança empregatícia.

Essa reforma trabalhista, depois de diversas manobras tentando evitar a discussão e acelerar sua votação, passou no Senado um dia antes da condenação do ex-presidente na noite de terça-feira, 11 de julho. Não foi por acaso que Lula foi condenado na manhã seguinte, acredita Luizianne Lins (PT), “[...] nesse momento, funciona como uma cortina de fumaça para diminuir a repercussão negativa da absurda reforma trabalhista e da ameaça do fim da aposentadoria” afirma. Assim, as notícias da aprovação da reforma ficariam abafadas sobre a condenação do ex-presidente em uma tentativa de reduzir a revolta popular.

No meio de tudo isso, o atual presidente não eleito Michel Temer tem 9 ministros acusados de corrupção e possui acusações e processos contra ele, incluindo um pedido de impeachment atualmente em tramitação na Câmara de Deputados. Já o ex-candidato à presidência e atual senador Aécio Neves (PSDB) possui denúncia de corrupção passiva e obstrução de justiça, além de mais 8 inquéritos no Supremo Tribunal Federal. Ambos com gravações de voz e provas contundentes de envolvimento nos crimes acusados.

Assim, a democracia representativa de coligação brasileira mostra sua real face que por anos esteve escondida: uma verdadeira rede de corrupção, lavagem de dinheiro, envolvimento com o tráfico e favorecimentos à mega-empresas e empresários, com o auxílio de um oligopólio midiático. Já passou da hora de o povo descobrir que política se faz na base, na união popular, nas ruas, nas organizações de trabalhadores e estudantes e não de quatro em quatro anos nas urnas.

Rodrigo Wesphalen - Porto Alegre www.micmag.net




  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • linkedin
  • Mixx
  • MySpace
  • netvibes
  • Twitter
 

Eventos

Mundo vintage (clicar no título)

La fève, un sujet de convoitise...

A l’origine, elle n’était qu’une légumineuse, noire ou verte, glissée dans une galette. Au fil du temps, en plastique ou porcelaine, elle a pris toutes sortes de formes. Aujourd’hui, la fève est un véritable objet de collection. D’où vient-elle ? Comment est-elle fabriquée ? Des réponses, ici.

Destaques de París

Edvard Munch. Un poème de vie, d’amour et de mort

L'exposition « Un poème de vie, d’amour et de mort » présentée au musée d'Orsay jusqu'au 22 janvier 2023, a pour ambition de montrer l’ampleur de l'oeuvre de Munch dans toute sa durée et sa complexité. Lire la suite, ici.



Notícias

Les combattants Théchènes Tik Tok en Ukraine
  • Au lieu de se battre en première ligne, les Kadyrovites  (fidèles de Kadyrov) ont tendance à publier des vidéos TikTok mises en scène de loin derrière les lignes ennemies. C'est pourquoi ils ont été surnommés "guerriers TikTok".

 
Jimi Hendrix bientôt en bande dessinée
Le 19 octobre paraîtra Kiss The Sky, une nouvelle bande dessinée - Mezzo (dessin, couleurs) et J.M. Dupont (scénario) sur le parcours de Jimi Hendrix.
 
Roy Orbison : pur rock
Ce documentaire présente un émouvant portrait de Roy Orbison, de ses proches et des artistes qui l'ont connu. Sur Arte le 5/08 et disponible en replay jusqu'au 13/12/22Roy Orbison : pur rock - De "Pretty Woman" à "Only the Lonely" : des tubes de légende - Regarder le documentaire complet | ARTE
 
Des sommes colossales pour Basquiat
Jean-Michel BASQUIAT pèse à lui seul 14% du Marché de l’Art Contemporain mondial. Trois toiles remarquables de cet artiste ont dépassé cette année à Hong Kong les 35m$ chacune. Nouvelle place forte pour la vente des plus beaux Basquiat, Hong Kong fait désormais le bonheur des collectionneurs asiatiques,
 
Le Saint-Pétersbourg Festival Ballet contre la guerre

En tournée en France, le Saint-Petersbourg Festival Ballet observe, avant chaque représentation, une minute de silence avant de lancer le spectacle avec l'hymne national ukrainien.