London - 

Pedro D-Lita : " A França, hoje, representa a diversidade cultural e étnica".

Pedro D-Lita (Londres) - 
A França, hoje, representa a diversidade cultural e étnica. É um lugar onde, cada vez mais, os habitantes precisam aprender a conviver com as diferenças.

Photo et artWork : Elen Sylla

A herança africana influencia a nossa cultura dos tempos coloniais até hoje. Mesmo com toda a ignorância e estupidez dos escravocratas investindo contra ela, a cultura da resistência, divulgada oralmente de geração em geração, sem o apoio e a força de veículos de comunicação, ganhou espaço e discípulos que se espalharam pelo mundo. Assim, movimentos periféricos como a capoeira, o maracatu, os blocos afro, o candomblé e, mais tarde, o hip-hop e o funk carioca (com o seu "tamborzão", um ritmo extraído do maculelê), fortaleceram-se e se consolidaram como parte da identidade nacional. Todos eles têm um caminho em comum: surgiram nos guetos, como atividade marginal. Só mais tarde foram aceitos pela sociedade.

Tendo vivido em capitais como o Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador e Paris, pude constatar o impacto positivo e decisivo exercido pelas manifestações populares sobre os jovens brasileiros, que vivem na base da pirâmide desta sociedade onde a desigualdade se multiplica. Percebi, ainda, que este não mais só um fenômeno exclusivo do Brasil. A juventude dos principais centros urbanos do mundo, que vivencia realidades semelhantes a essa, se identifica com esses movimentos, e, por meio deles, também encontra saídas para preencher a falta de oportunidades latente nestas metrópoles. Não há sombra de dúvida de que o acesso à cultura reduz estes danos, socializa os jovens delinquentes e traz inúmeros benefícios para toda a comunidade.

Do outro lado da piscina é mais limpo e é em euro. Mas em Paris, como em quase todas as grandes capitais do mundo, a violência urbana está explodindo. Jovens da periferia queimam carros e falam em direitos; seguem a tradição das revoluções. Exibem os filhos do terceiro mundo, para o mundo inteiro: o subúrbio também se globalizou. A segunda e a terceira geração de imigrantes, nascidas em solo francês e alfabetizadas neste país, mostram insatisfação com a sociedade francesa. Paris é uma das principais ”babilônias” do mundo  Paris é uma das principais ”babilônias” do mundo, onde, como em quase todas as grandes capitais, a população é formada por etnias múltiplas, fruto do êxodo de pessoas que deixam o país de origem em busca de novas oportunidades. A França, hoje, representa a diversidade cultural e étnica. É um lugar onde, cada vez mais, os habitantes precisam aprender a conviver com as diferenças.

O reencontro de populações diferentes está formando gerações misturadas. Circulo pelas ruas da cidade e vejo a miscigenação por todos os lados: casais multi-raciais, com seus filhos mestiços; belas meninas, filhas de pais africanos do Gabão e mães francesas (e vice-versa) ; senhoras brancas passeando nos parques com seus netos mulatos, crianças afroasiáticas começam aparecer nos carrinhos de bebê.  A França contemporânea é “bien mélangée”, mas, como no Brasil, a sociedade   é conservadora e racista. Neste país, o racismo não chega a ser burro como o nosso, mas existe de uma forma polida e mais democrática. Conhec alguns senegaleses e malianos que ao terminarem o seu curso universitário, partiram para o Canadá e EUA, após chegarem à conclusão de que nestes outros lugares, atualmente, existe mais espaço para os negros. O fluxo migratório de negros formados na França para a América do Norte é um fenômeno e essas estatísticas devem aumentar com Barack Obama na presidência dos Estados Unidos.

O termo 'diáspora' pode ser compreendido de várias maneiras. Lembrando dos tempos da escravidão – onde negros foram arrancados da sua terra natal para carregar nos braços a economia de outros países, a palavra adquire um matiz bruto e traumatizante. Já do ponto de vista contemporâneo, o deslocamento de pessoas do seu país de origem para viver em outros países adquire outra dimensão. Na 'diáspora' atual, as pessoas vão ao encontro de diferentes populações, apreendem outras culturas e podem carregar na bagagem os seus próprios sentimentos e valores. Formam, assim, uma sociedade rica nos mais variados aspectos.  Voltando a falar de Paris, onde a presença africana é latente, em consequência das ex-colônias francesas na África do Oeste e Norte, constato que vem surgindo um ambiente propício para a junção de forças. Definitivamente, a cultura é vista como instrumento de transformação social.

Pedro D-Lita  por www.micmag.net


  • Facebook
  • Google Bookmarks
  • linkedin
  • Mixx
  • MySpace
  • netvibes
  • Twitter
 

Events

Vintage world (Click on the title)

Installé à Rochefort, le Musée des Commerces d'autrefois propose une vingtaine de boutiques et d'ateliers du début du XXe siècle reconstitués à l’identique. Un voyage dans le temps. La plus riche collection française d'objets publicitaires. Lire la suite, ici.

Going out in Paris

L'exposition "La légende dorée Bouddha" met en lumière la richesse des traditions iconographiques et stylistiques de la présentation de la vie du fondateur du bouddhisme, la quatrième religion au monde en nombre de fidèles, derrière le christianisme, l’islam et l’hindouisme. En savoir plus ici.


News flash

"Bowie m'a montré son gros sexe pour me remercier d'une ligne de coke"
C'est ainsi que s'exprime dans son livre  Face it, la chanteuse Debbie Harry (74 ans aujourd'hui) du groupe Blondie. Elle termine par :"le sexe de David était je dois bien l'avouer impressionnant."
 
Bansky à fond dans le marché !

Le travail de Banksy dans lequel les chimpanzés occupent le Parlement britannique pourrait battre le record de vente aux enchères le 3 octobre prochain à Londres.

 
Brexit, les auteurs britanniques se mobilisent

"Choisir le Brexit, c’est choisir de renoncer". 86 auteurs britanniques ont signé, mardi 21 mai, une tribune dans le Guardian contre la sortie du Royaume-Uni de l’Union européenne.

 
Brésil
Une baleine à bosse retrouvée au beau milieu de la mangrove dans l’île de Marajó, au nord du Brésil, intrigue les chercheurs...
 
Le poison de Monsanto
La célèbre entreprise de pesticides a fiché des personnalités (journalistes, politiques) en France. Dans le but d'un vote favorable à l'assemblée sur un maintien cancérigène  du glyphosate sur le marché.

Record of the week

Au coeur de la France rurale- Bistro picard - 2016 - ©HM

Send your picture to be published at  : contact@micmag.net