- 73 Mostra Internazionale d’Arte Cinematografica di Venezia

LOVE FOR SALE / AMOR À VENDA na Mostra de Cinema de Veneza 2016

From Lica Cecato (Venice) - 
"Sabemos, muitos filmes são feitos para vender amor e ódio, mas essa onda de novo puritanismo me assusta... Não sei bem a razão, mas fiquei assobiando Love for Sale dias à fio pelas ruas do Lido."

Leão de Ouro 2016 para Lav Diaz- Photo AFP

Antes de contar um pouco do Festival de Cinema de Veneza, gostaria de fazer um preambulo. Como música e cantora, uma semana antes do festival, gravei Cole Porter em estúdio e acabei estudando suas músicas, letras, seu comportamento dentro da conjuntura daquele momento. Uma de suas músicas famosas é Love for Sale – Amor à venda –  trata-se de uma prostituta (ou um prostituto?) jovem, chamando alguém para dividir prazeres. Deliciosa provocação aos puritanos da época, 1930, quando a composição foi considerada de mau gosto e até escandalosa. Fazia parte do musical The New Yorkers que ficou na Broadway menos de 6 meses. Me pergunto, em relação à atual 73 Mostra Internazionale d’Arte Cinematográfica di Venezia, se é possível que exista um novo puritanismo. Não sei bem a razão, mas fiquei assobiando Love for Sale dias à fio pelas ruas do Lido, entre um filme e outro.

O lindo musical LA LA LAND, de Damien Chazelle ('Whiplash'), uma espécie de colagem de musicais americanos do passado e Walt Disney, encanta e contagia até os mais sisudos, mas tem um moralismo, um puritanismo anglo-saxão de fundo. Leve, que o momento é breve.

Sabemos, muitos filmes são feitos para vender amor e ódio, mas essa onda de novo puritanismo me assusta. Numa belíssima homenagem ao diretor e fotógrafo iraniano, Abbas Kiarostami, (que faleceu poucos meses antes do festival), há um documentário onde ele diz de si mesmo, sabiamente: “ Não gosto de fazer filmes que façam o público de refém” e no entanto, seus filmes são de uma poesia estonteante.

Que fazer?

Há uma tendência retrógrada em boa parte dos filmes, os suicídios que no ano passado eram suicídio de pessoas que chegam à fama, hoje são suicídios parecidos aos do século XVIII ou XIX, frutos de um amor platônico, ou desilusões amorosas, ou ainda por não assumir a própria tendência sexual, hétero, gay, ou mesmo obsessão sexual histérica (como no filme LA REGIÓN SALVAJE, de Amat Escalante, Leão de prata de melhor direção), dada a pressão de uma sociedade que voltou a ser careta, enfim, gira um ar de falsa inocência, de um romantismo obscuro.

THE WOMAN WHO LEFT, um filme intrigante

Nos roteiros distinguem-se e predominam um certo empasse entre a sofisticação vinda do que acreditamos ser o nosso progresso socioeconômico. Um bom exemplo seria o Leão de Prata – Prêmio do Juri,  NOCTURNAL ANIMALS, de Tom Ford.

Um contraste ainda entra em jogo, é o da busca da tecnologia exasperada, como 3D, VR Virtual Reality (realidade virtual) e a contrapartida, o retorno de um certo valor do cinema como concebido no passado, usando recursos antigos, como no filme UNE VIE de Stéphane Brizé, com resultado de extrema beleza, optando por colagens de películas do cinema mudo (1910 – 1920) em DAWSON CITY FROZEN TIME de Bill Morrison, ou ainda dando mais peso à fotografia como em FRANTZ de François Ozon, situado entre França e Alemanha durante a primeira guerra mundial.

Não pude evitar de assobiar LOVE FOR SALE.  Amor à venda. Old love, new love, every love but true love. Velho amor, novo amor, tudo menos verdadeiro amor.

O filme de Lav Diaz, THE WOMAN WHO LEFT, ganhou com todo o mérito o Leão de Ouro ontem à noite, confesso que fiquei secretamente feliz. Não foi uma escolha óbvia dado que a protagonista ficou 30 anos na cadeia por falso testemunho. Saiu com sede de vingança e encontrou conforto e amor com um travesti que ela salvou da rua de uma surra quase letal que ele levou de uns rapazes. Esse travesti foi quem a salvou, vingando por ela, pela sua honra, no lugar dela, quem a havia traído 30 anos antes. O filme é intrigante e usa formula e forma peculiar de direção.

Me lembrou o ritmo de DODESKADEN, de Kurosawa. Uma narrativa original, escassa de diálogos e plena de sentimento, duração de 4 horas em branco e preto, onde até o final da primeira hora não se sabe bem quem é o protagonista, ao contrário  do filme de Benoit Jacquot, A JAMAIS, onde o público quase que precede o que vai acontecer na cena seguinte.

Raramente saio no meio de um filme, mas saí de alguns, como o do Wim Wenders, LES BEAUX JOURS D’ARANJUEZ, em 3D sem nenhuma necessidade de sê-lo, parecia mais uma peça de teatro adaptada ao cinema. Seria um anti-estilo? Wim Wenders assina um dos filmes mais chatos que fez, junto a Peter Handke. O filme é um diálogo entre um homem e uma mulher, esse também, com muitos aspectos moralistas, escritos pelo terceiro personagem do filme: o escritor do diálogo utiliza uma máquina de escrever tipo Olivetti e escuta Nick Cave numa vitrola Wurlitzer dos anos 40.

 Prazeres da carne e violência animal

Em vez disso, vai o meu aplauso em pé a Emir Kusturica com o seu filme ON THE MILKY ROAD (título original  “Na mliječnom putu”, em servio), com o qual ele explodiu todos os padrões, acabou até com o sentido da guerra, fez a beleza renascer das tripas de um porco, ou do maquinário de um relógio velho, repropôs o amor na sua forma mais louca, vil e fiel, admitiu os prazeres da carne, a violência animal, mas também a doçura. Revolucionou tudo, deu uma nova estética à morte, quase cômica e desculpou a humanidade com sonho e fantasia. Acabou o filme fazendo uma instalação de pedras brancas semelhantes a um trabalho do artista inglês Richard Long, mas não foi premiado. Pena!

Outro filme que merece atenção com grande roteiro, de conteúdo atual e de peso, é o argentino EL CIUDADANO ILUSTRE (The Distinguished Citizen), de Mariano CohnGastón Duprat com o excelente Oscar Martínez como protagonista e obteve o prêmio de melhor ator. O filme fala do nosso tempo, parte do microcosmos para o macro, fala de maneira universal usando uma cidadezinha de interior da Argentina, da América do Sul, mas não cala, fala.

Para concluir, foi um festival forte! Cinéfilos, vamos comemorar, viva o cinema!

Um desejo?

Mais atualidade, mais verdade, mais garra para combater a caretice contagiosa.

Love for sale. Appetizing young love for sale. If you want to buy my wares, follow me and climb the stairs, Love for sale. Amor à venda. Amor jovem e apetitoso à venda. Se você quiser comprar, sobe a escada e vem pegar, Amor à Venda.

Lica Cecato for www.Micmag.net




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