Venice, Italie - cinema

Venice Mostra 2012 : MICHAEL, me leva através do "Heaven’s Gate"!

PAOLO MARIA NOSEDA -TRADUÇÃO  LICA CECATO. - September 1st- 2012
Heaven’s Gate (Portal do Paraíso), obra-prima de Cimino de 1980 (219 '), foi exibido em nova versão, restaurado. Michael olha para o horizonte e na linha tênue entre o mar e o céu do Lido de Veneza...

Ontem, 30 de agosto, Michael Cimino, grande diretor americano, roteirista e produtor, recebeu o prêmio Persol 2012 do 69º Festival Internacional de Cinema de Veneza, que tem como objetivo celebrar autores legendários do cinema internacional. Após a cerimônia de premiação, Heaven’s Gate (Portal do Paraíso), obra-prima de Cimino de 1980 (219 '), foi exibido em nova versão, restaurado digitalmente por Criterion sob a supervisão do cineasta, na Sala Perla (Palazzo del Casino), como parte da seção Classici Venezia.

Na verdade, afirma Michael, não se trata de um filme restaurado, mas de uma recriação. Data marcante para Michael que, depois de ter trabalhado incansavelmente para dar ao filme uma nova vida, o viu pela primeira vez no telão, juntamente a todos nós, público privilegiado.

"histórias de amor e poder, de ódio e sangue"

Descrever o filme é simplesmente impossível: a história dos EUA, do mundo, da política, são histórias de amor e poder, de ódio e sangue, e ao mesmo tempo uma viagem na história do cinema. Camafeus de infinita beleza: Fellini, Visconti, mas também diretores épicos do passado. Todo mundo está contido nesse  filme que deveria ser visto por todos que merecem ser chamados de ser humano. Eu disse a Michael que ele deve realizar uma Master Class sobre o Heaven’s Gate, e ele riu, respondendo que levaria 4 dias para descrever a realização do filme. Então, vamos filmar isso, sugeri.
Michael estava visivelmente emocionado ao final da projeção, com a plateia lotada, aplaudindo em pé, entusiasmada, por longos minutos. Mais tarde, ele confessou que nunca teve uma salva de palmas tão incrível, vinda de maneira sincera e calorosa do público, nem mesmo no Oscar ou no Grammy. Ele estava certo: há momentos em que as pessoas se fundem e o aplauso se apresenta como uma linguagem única, maravilhosa, sincera, que toca o coração e a alma de todos. Uma ovação em pé, de mais de um quarto de hora foi uma compensação merecida não só pelo  compromisso, pela resistência e a fé, que Michael colocou neste filme, mas também pela sua força em ter enfrentado e lidado com a rejeição do mesmo por muitos anos.
Tudo já foi dito e citado sobre Heaven’s Gate e Michael sofreu uma das situações mais atrozes de um gênio: ter de suportar as muitas tentativas de fazer desaparecer uma obra-prima. Anos atrás, o filme foi cortado de uma forma que não era mais que ele havia idealizado, e consequentemente ele foi marginalizado e indiciado como se ele fosse um criminoso. Bem, como eu disse à   ele ontem, o que não mata, fortalece, e Michael está mais forte do que nunca. Heaven’s Gate merece um lugar na história do cinema. Sem efeitos especiais, sem truques, tudo cuidadosamente planejado, por exemplo, Michael me disse que os figurinos foram concebidos individualmente, para cada pessoa que atuou no filme até mesmo os extras foram fotografados um a um e o figurinista criou algo especial para cada um deles, e isso se evidencia no filme.

"Uma vez me apaixonei por uma dançarina de flamenco que costumava me levar para os lojinhas espanholas de Manhattan"

Algumas das cenas poderiam sair de pinturas de Brueghel ou da Pietà de Michelangelo, ou ainda dos mestres do impressionismo. Michael me contou a emoção que teve quando  Franco Tosi - o grande designer e figurinista  - lhe deu de presente uma aquarela de equitação do Delon, que ele usava no Gattopardo. Pode-se dizer o quanto Michel ama o trabalho de Visconti, ao assistir cenas lindas como a inicial da valsa e a dança de patins. O “Danúbio Azul” é como um fil rouge (fio vermelho) que liga esta viagem longa e fascinante da vida e da morte.
"Minha mãe adorava dançar, ele me diz, e eu cresci circundado de música. Uma vez me apaixonei por uma dançarina de flamenco que costumava me levar para os lojinhas espanholas de Manhattan. Ela ia comigo à pé até chegar aos fundos de uma das lojas, para me mostrar, na parte inferior, uma pequena sala, onde havia pilhas de discos de música fabulosa. Queria aprender violão e ela me levou a um professor que só falava espanhol. Não trocávamos nenhuma palavra, apenas a partitura musical e exercícios que deviam ser repetidos na aula da semana seguinte e se não fossem tocados à perfeição, tinha que estudar de novo. Acabei comprando um violão feito de laranjeira para ter em casa. Ainda tenho. Nenhum arranhão ou deformação, perfeito. Um objeto bonito que adoro olhar. Por alguma razão, eu terminei com a dançarina de flamenco ".

Michael olha para o horizonte e na linha tênue entre o mar e o céu do Lido de Veneza e sorri,

"Mas esta é a vida privada de Michael", diz ele sorrindo para mim: "Você, sabe, as pessoas precisam contar histórias. Nós todos vivemos em histórias e a história do que os EUA, é muitas vezes negligenciada, não temos ainda quem tenha ousado ir além da superfície. Eu quero dizer a verdadeira história da América ".


Michael me diz tudo sobre o seu trabalho de investigação, as notas que escreveu Nate antes de ser morto e a ordem que o presidente emitiu.

Este filme, como todas as obras, torna-se mais bonito com o tempo. Luz e fotografia o fazem real e ao mesmo tempo um sonho, como nossas próprias vidas para, que possamos viver e enfrentar a realidade ou apenas fingir e acreditar que é só um sonho.
O que resta saber é quem é o casal na película que continua aparecendo no filme inteiro.


Sua mãe amava a música, ele também adora e quando nos despedimos, ele sorriu e disse: "keep dancing!" Vamos dançar juntos, Michael

Obrigado por ter nos levado através do Portal do Paraíso!


TEXTO: PAOLO MARIA NOSEDA- TRADUÇÃO: LICA CECATO




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