21-02-2012 18:03:59Tom Jobim - Imagine um Rio de Janeiro dos anos 50 !A música segundo Tom Jobim. Filme de Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim ( Brasil 2011. 88 min)-A linguagem musical basta.
Por Luis Fabiano Soares (Rio de Janeiro) ![]() Imagine um Rio de Janeiro dos anos 50, com imagens aéreas em preto e branco com a orla carioca como paisagem, tudo isso ao som do maestro Tom Jobim. Assim começa o documentário musical que estreou no Rio de Janeiro neste fim de semana em 5 salas. Dirigido pelo ícone e referência principal da ficção no cinema brasileiro, nascido com o ‘cinema novo’, o cineasta Nelson Pereira dos Santos em parceria com uma neta de Jobim, faz uma colagem de apresentações musicais jobinianas mundo afora, sem falas, legendas ou narrações. Assim como Jobim, também para N.P. Santos, a linguagem musical basta. Músicos de todos os cantos do planeta aparecem interpretando as inesquecíveis canções jobinianas, a autêntica e brasileiríssima bossa nova. O swingue de Samy Davis Jr, o piano jazz de Oscar Petersom, a voz de Frank Sinatra, Ella Fritzgerald e Sara Vaughn, os sopros inconfundíveis de Dizzy Gillespie, a modernidade de Dianna Krall e Lisa Ono cantando em português, Elis Regina, Milton Nascimento, Elizete Cardoso, Gal Costa, Vinicius de Moraes, entre outros. "A bossa nova, prima irmã do jazz, continua moderna" Um encaixe perfeito entre som e imagem é a marca principal deste inovador documentário. A escolha das cenas perfeitamente concatenadas com a seleção de interpretações memoráveis das músicas de Tom Jobim leva o expectador a viajar os olhos, ouvidos e espírito aos velhos tempos da bossa nova e os nostálgicos ‘anos dourados’. Chico Buarque e Tom Jobim aparecem cantando juntos no Festival da Canção de 1968, quando a dupla foi vaiada ao cantar a música "Sabiá". 'Garota de Ipanema', uma das músicas mais cantadas no mundo, no documentário não é diferente, trazendo diferentes versões dela, na interpretação de músicos como Errol Garner, Pat Hervey, Marcia e Lio, comprovando que o mundo todo já cantou o universal Tom Jobim. A bossa nova, prima irmã do jazz, continua moderna e atual como sempre. Universal. Sempre revisitada, reinventada, adaptada, bem ou mal acompanhada, mas sempre presente encantando as sucessivas gerações que não se cansam em redescobrir esse jeito brasileiro-carioca sensual de cantar descontraído. Em comemoração aos 85 anos de nascimento do músico, o filme nos presenteia com imagens de arquivo e fotos garimpadas pelo mundo todo, em diferentes épocas. Som de qualidade digital, em perfeita sincronia. Atributos relativamente recentes no cinemal documental brasileiro. Artistas cantando músicas de Jobim em francês, italiano e inglês atestam que o filme também está pronto para fazer sucesso no mercado europeu. Sem repetir o formato cansativo dos documentários musicais baseados em depoimentos seguidos de músicas, este formato simples e ousado prova que quando a música é de qualidade, ela é o suficiente. |
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