Barcelona - voz libre

Um grito desde Barcelona :"a burocracia varre a música ao vivo dos bares!"

Livia Lucas (Barcelona - 11 fevereiro 2013
A cantora e jornalista Micmag, Livia Lucas : A “batalha” diária entre vizinhos x músicos, policia x músicos, a burocracia varre a música ao vivo dos bares de Barcelona, agora nos impedem trabalhar nos poucos espaços que restam na cidade..."

Na ultima sexta-feira 08/02, durante a prova de som que antecedia nosso show de samba-jazz, fomos surpreendidos com uma novidade instalada junto ao equipamento de som do bar. Um controlador de decibéis, melhor definido, limitador sonoro. Um aparelho que mede os decibéis dos amplificadores a partir da primeira nota emitida pelo instrumento e pela voz, e controla seus volumes, ou simplesmente corta a emissão de som automaticamente.
Essa máquina está conectada a uma central, que rastreia o funcionamento desses medidores em cada bar de Barcelona.
"agora nos deparamos com verdadeiras “algemas” artísticas"
Além de implementar a novidade, a casa está sujeita a visitas de inspetores da prefeitura. Nesse caso, se o bar desliga o aparelho recebe uma penalização. Péssima notícia para os proprietários dos locais, para os artistas e para os frequentadores, que "dançam sem música".
Nós músicos, que atualmente passamos por uma série de interpéries para exercer nossa profissão, desde que a tal crise econômica se instalou na Espanha. E agora nos deparamos com verdadeiras “algemas” artísticas, a causa dos novos regulamentos que envolvem a música ao vivo.
Descrevo a situação desde o meu ponto de vista, desde o ponto de vista de quem precisa do mínimo volume para chegar ao público, para ser ouvida e ganhar a vida.
"um limitador de diversão, de arte, da música em si, um limitador da alegria"
Não bastasse a institucionalização da arte nas ruas, a “batalha” diária entre vizinhos x músicos, policia x músicos, a burocracia varre a música ao vivo dos bares de Barcelona, agora nos impedem trabalhar nos poucos espaços que restam na cidade, com um controle desmedido de volume que não supera sequer o ruído ambiente das pessoas no local. Um limitador de comunicação, um limitador de diversão, de arte, da música em si, um limitador da alegria nos "rituais" coletivos.
O episódio incoerente começou no momento em que conectamos os instrumentos e notamos quedas bruscas de volume nas caixas. Constatamos que daquela maneira seria impossível trabalhar. Pois se a banda não se escutava, como faríamos para tocar com a casa cheia? Diante do dilema, tentamos algumas soluções, todas em vão, porém cumprimos com a pauta da noite, pois havia público. Este, compreendendo a nossa situação, colaborou do inicio ao fim da montanha russa sonora que foi aquele show. Sem dúvida o mais desconfortável (tecnicamente falando) da minha carreira. Terminada a apresentação, vem o mais absurdo... a música mecânica soava em alto e bom som. No momento em que o músico desce do palco, já não existem barreiras sonoras. A questão do controle está diretamente ligada à música ao vivo, à música orgânica.
"Mais do que um “coito interrompido”, presenciamos a castração da arte"
A questão nos atinge desde a raiz, pois sem volume não há expressão em meio à multidão, por pequena que ela seja, sem volume não há comunicação, o músico não flui, se não flui não trabalha bem, se não trabalha bem não tem prazer, sem prazer não ganha o público, conseqüentemente deixa de ganhar o pão. O público por sua vez, deixa de ganhar o circo. Se em uma sociedade em plena crise econômica, além de perder-se o pão, perde-se o circo, de que maneira mantemos a chama do entusiasmo acesa?!
Mais do que um “coito interrompido”, presenciamos a castração da arte, do direito básico à liberdade de expressão, uma censura sutil, que termina de minar esse campo, onde tudo o que é natural e nos engrandece, tudo o que nos une, nos faz pensar e criar, necessita permissão para acontecer, e uma vez concedida passa a ser controlada, que classe de paradoxo é esse???
Momentos de Crise são momentos de intensa transformação, uma grande oportunidade de mudança. Não deixemos esvair entre os dedos a chance de repensar nossa importância, nossa atuação diante dos muitos “limitadores” de comportamento que vêm se instalando silenciosamente, e podem nos levar a um silêncio doído, descontente e passivo.



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