26-01-2011 14:44:42

Entrevista de Pavel Giroud cineasta, diretor de vários filmes premiados fala com liberdade !




 

Micmag.net : Seu sobrenome é de origem francesa ?

 Pavel Giroud : Meus antepassados vieram do Haiti fugindo da revolução preconizada por *Louverture. Eles se instalaram na zona leste da ilha onde desenvolveram plantações de café.

 M. : O que você acha de ser chamado o Truffaut cubano  pela crítica internacional ?

 P. G. : Foi por causa do filme “La edad de la peseta”. Acho que pelo fato do ator principal ser jovem, a crítica o assimilou ao filme “400 coups”. É engraçado porque Truffaut como cineasta não me deixou uma boa lembrança. Eu era muito jovem quando vi esse filme e o achei muito chato.

 M. : Existe uma verdadeira produção cinematográfica cubana ? Quantos cineastas se destacam ?

 P. G. : Atualmente está havendo uma explosão, como em todos os outros lugares. A moçada com suas câmaras amadoras estão começando a mostrar coisas interessantes… Tem um diretor que sobressai, é o Fernando Perez. Mas aqui não há meios de ter uma produção independente. Existe um potencial para desenvolver um cinema mas, é preciso dinamitar os caminhos estreitos por onde se passa. É preciso criar novas rodovias.

 M: Com que atores do universo do cinema você gostaria de trabalhar ?

 G. P. : Se eu lhe dissesse que gostaria de trabalhar com Javier Bardem um ator muito forte, mas também com Sean Penn ou Daniel Day Lewis… Eu gostaria de poder sempre trabalhar com o ator cujo rosto aparece no momento em que estou escrevendo o roteiro. Acho ridículo puxar os olhos da Meryl Streep pra que possa interpretar o papel de uma chinesa, quando há pelo mundo afora tantas boas atrizes chinesas.

 M. : Parece que o cinema cubano escapa à censura política… É um desejo político ter um cinema cubano ?

 G. P. : A censura atinge todos os domínios. A censura é também aquela que você se impõe, a que é estabelecida pelo poder político, pelo poder religioso, pelo poder dos produtores e assim vai até à censura do mercado. Não creio que o cinema cubano seja menos censurado. Acho que os cineastas são mais ousados.

 M. : Você faz parte dos jovens cineastas que viajaram, viram o que acontecia no estrangeiro e assim mesmo apesar dos problemas, resolveu viver em Cuba ?

 G. P.: Viver em Cuba é difícil. Mas foi bem mais difícil para o Tarzan crescer numa floresta e brincar com filhotes de tigre. Pode ser que me falte óleo justamente no dia em que eu quero fritar um ovo. O ovo também pode me faltar. Posso lavar meus cabelos com um shampoo que me dá caspa… um apagão pode ocorrer bem na fase final da redação do meu novo roteiro… mas para mim é mais importante ter um espaço para a criação. E eu tenho este espaço o tempo todo. Eu não falo em voz baixa na minha casa nem por código ao telfone… Há quem tenha escrito sua melhor obra dentro de uma prisão estreita sem ver a luz do dia. Resumindo, você conhece algum cineasta cubano que tenha realisado uma obra digna de interesse longe da terra dele ?

 M. : Seu próximo filme ?

 G. P.: Deveria ser "El acompanante" um  roteiro premiado em 2010. Mas na hora de decolar o projeto capotou. O produtor ideal não apareceu. Tenho um outro projeto cujo título é  "7 balas" e que é um projeto fácil de ser produzido. Este ano meu melhor filme se chama Roman ele tem um mês e pesa 4.50 quilos.


Entrevista realisada por H M

Intrevista integral

*Toussaint Louverture - (1743-1803) escravo haitiano, primeiro líder negro contra os impérios coloniais, chegou a ser governador-geral do Haiti.

 

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