03-03-2011 17:25:48

Velhinhos rebeldes são fenômeno literário !


"Contra a indiferença geral, Indignem-se !” Em seus livros respectivos, Stéphane Hessel e Edgar Morin lançaram uma bomba no clima atual do silêncio conivente. Uma rajada de ar fresco e um sucesso que fazem bem !

De : Iris Sergent (Paris)-Traduçao do francês Meyre Maluf



Esse começo de ano foi marcado por um fenômeno literário raro… nonagenários rebeldes batendo recordes de vendas em livraria. Stéphane Hessel provocou, realmente, o efeito de uma bomba com seu livro « Indignez-vous ! », que foi vendido a mais de 1.7 milhões de exemplares desde sua publicação em dezembro último, pois se trata de um apelo à Resistência. Faz eco a este clamor o livro  « La voie – pour le futur de l’humanité » (« O caminho - para o futuro da humanidade”), obra mais consequente, do velho sábio e filósofo Edgar Morin publicada em fevereiro e que já vendeu mais de 30 000 volumes.  Indignez-vous !  Para Stéphane Hessel, " o motivo da resistência é a indignação» ele próprio reconhece que é mais fácil para um ancião tendo conhecido o nazismo, a França de Vichy, ter podido conhecer nos tempos da sua ardente mocidade as razões de uma indignação justa que o levaram a entrar no movimento de Resistência ao lado do General De Gaule. Nesse pequeno livro, aquele que foi um dos co-autores da Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948 lança um apelo que merece ser ouvido : os motivos de uma nova Resistência existem, basta procurá-los para os encontrar : as disparidades econômicas cada vez mais flagrantes ; a caça a bodes expiatórios sejam eles imigrantes sem documentos, ciganos (romenos e búlgaros), filhos de imigrantes ; a indecência dos nababos que exibem riquezas e usam a crise econômica como desculpa para desmantelar nossas aquisições sociais…

Todas estas contradições e absurdos que constituem o mundo atual deveriam ser suficientes para provocar a indignação que o nonagenário rebelde, e porém gaulista, clama com veemência.

E da indignação viria a resistência.

Não é por causa do efeito bola de neve que ele provocou que o recomendo nem tampouco deixaria de tratar esse assunto sob o pretexto do livro não ser uma última publicação literária… É imperativo que todas as pessoas que ainda não o compraram e que apresentam em si motivos de uma justa cólera, indignação (ou dêem o nome que quiserem) corram para comprá-lo.

O que deve ser salientado aqui não é a beleza do verbo, nem uma adesão total aos motivos de indignação próprios ao senhor Hessel. Comprar esse livro é, em si, um ato de resistência para todos os amantes de Liberdade que não se esqueceram que o termo de Igualdade ainda figura na divisa trinitária da França.

É, finalmente, insuflar os « sarko-santos » números desta contestação embrionária que dizem “não » à indiferença face às injustiças cada vez mais flagrantes.

LA VOIE, um programa político ??

No seu livro « La voie », Morin nos serve numa bandeja de prata os verdadeiros motivos de indignação. Será por isso talvez que li a torto e a direito, que este livro estava impregnado de pessimismo ? Constatar que nosso planeta e a humanidade que ele porta se meteram numa linha descendente num caminho difícil de ser revertido, ser realista ou mesmo alarmista sobre o futuro dos nossos destinos comuns, é, talvez, ser pessimista. Estão portanto presentes a proliferação constante de arma nuclear, a degradação alarmante do meio ambiente, o triunfo de fanatismos religiosos, econômicos e consumeristas, a uniformização das individualidades através de uma globalização desefreada…. Se o filósofo tivesse se contentado deste tipo de afirmação, eu teria tido também tentação de partilhar essa opinião. Mas o velho sábio conclui sua introdução com estas palavras : « Denunciar não é mais suficiente. Daqui para frente temos de enunciar. Não basta lembrar a urgência. É preciso também saber começar a definir os caminhos susceptíveis de conduzir ao Caminho. A mensagem que indica o Caminho está em fase de elaboração, é a isto que estamos tentando contribuir aqui. A origem está diante de nós, dizia Heidegger. A Metamorfose seria verdadeiramente uma nova origem ». Pois passada a introdução, um muro de reação se ergue em todos os continentes, um muro composto de contestações construtivas e de iniciativas positivas. São elas que o filósofo tenta sistematizar, interligar, trazer ao conhecimento, numa obra rica de reflexões e de esperança baseando-se em torno de quatro grandes partes que são as políticas da humanidade, as reformas da consciência, da educação, reformas sociais e reformas do modo de viver. O que eu retenho deste grande livro, pois de fato é um grande livro, é que ele poderia servir de base a um novo projeto político, sendo como é impregnado de humanismo e universalismo quer nos lembrar que somos guardiões comuns de uma diversidade de riquezas humanas e que cabe a nós proteger.

Veneráveis cãs nos indicam o caminho !

Se tudo é passível de discussão, convém discutir ! Ao que parece, a um pouco mais de um ano antes da eleição presidencial, os defensores do livre pensar, da reflexão e do engajamento político lançaram uma primeira ofensiva contra o obscurantismo ideológico que nos governa... Assim sendo cabe a nós nos apropriarmos destas reivindicações afim de que nossos representantes entendam a sua importância.

Mas o mais importante, é a mensagem enunciada por Margaret Mead, citada por Morin no início do seu livro e comum a estes dois antigos Resistentes ao totalitarismo nazista, « nunca duvide que um pequeno grupo de indivíduos conscientes e engajados possa mudar o mundo. É de fato sempre assim que isto se produziu.

NR : « Indignez-vous ! » Indigène éditions - a 3 euros – traduzido em várias línguas. Lançado em Berlim em fevereiro de 2011.




 

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